Nota do NOVA PÁTRIA por ocasião do 55° congresso da UNE

18788668_1347826798670271_69088043_n

“Não cante vitória muito cedo, não
Nem leve flores para a cova do inimigo
Que as lágrimas do jovem
São fortes como um segredo
Podem fazer renascer um mal antigo”
Não Leve Flores, Belchior.

1

Hei de lembrar de sua atuação ante o avanço dos galinhas-verdes, carregados de nazi fascismo, em seus primeiros anos de fundação, pressionando o presidente Getúlio Vargas a tomar uma posição firme durante o conflito da segunda mundial.
Não esqueça, jamais!, daqueles jovens que em 1942 ocuparam a sede do Clube Germânia, na Praia do Flamengo 132, Rio de Janeiro, famoso reduto de militantes nazifascistas. E neste mesmo ano o presidente concedeu o prédio ocupado para ser a sede da, naquele momento, oficializada como entidade representativa de todos os estudantes universitários brasileiros. E neste mesmo período o Brasil entrava na segunda mundial ao lado da União Soviética e forças aliadas.
Lembre-se que ela foi uma das vozes a gritar O Petróleo é Nosso!, em um tempo de muito debate sobre a “entrada” de empresas estrangeiras em nosso território, pré-dispostas a tomar de assalto, assim como os portugueses o fizeram noutros tempos, assim como os imperialistas americanos o fazem por ora, nossas riquezas naturais (ou, no caso, nosso petróleo).
Sua luta pela Campanha da Legalidade, movimento que via em João Goulart uma boa possibilidade para afetivas mudanças sociais, e que, em tempo, defendeu que ele fosse empossado como Presidente da República, nunca deveria ser desrespeitada de tão estúpida forma. Como gesto de agradecimento, Jango ao ser empossado no mais alto cargo da república veio a ser o primeiro dentre tantos a visitar a sede da nossa entidade.
Pensem naqueles que peitaram de cabeça erguida e punhos cerrados os horrores do Regime Militar. Estes que foram os primeiros a serem abertamente atacados, metralhados e tiveram a sede desta entidade invadida e incendiada, na noite de 30 de março para o 1º de abril, de 1964. Dia do golpe, da vergonha nacional.
Os perseguidos e exilados, presos e torturados, os jovens estudantes – filhos de nossa nação executados pela barbárie da ditadura estabelecida em nosso país dos anos 1964 à 1985.
Edson Luís de Lima Souto. Estudante secundarista morto pela polícia militar do Rio de Janeiro durante um protesto, teve seu corpo velado na assembleia legislativa devido ao medo de que os policiais sumissem com seu corpo. A comoção pela sua morte fez com que a entidade de representação máxima nacional dos estudantes decretasse GREVE GERAL.
Da luta à reconstrução, dos anos de chumbo ao congresso de Salvador em 1979, reivindicando mais recursos para as universidades, fazendo uma defesa ao ensino público e gratuito, assim como o pedido de libertação dos estudantes ainda presos pelos militares.
Com a queda dos generais, eles voltaram às ruas através do grito do DIRETAS JÁ e do FORA COLLOR, entre outros, tomando para si o protagonismo da defesa da educação em uma época de grandes tenções sociais no Brasil. Direto aos livros didáticos de história, a entidade faz parte do imaginário de luta social e não merece o vulgar ostracismo político que foi condenada em nossos dias.
2
Temos hoje uma entidade que se perde em sua própria burocracia e política de gabinete. Sem ressonância na vida cotidiana dos estudantes universitários, nem tampouco o sentido de mobilização dentre eles. Vemo-la em mãos de uma gestão que parece desconhecer o histórico sentido aplicado a esta, e que se nega a cumprir o papel de unificar as lutas dos estudantes de todo o país. Foram anos sem levantar grandes bandeiras, tempos de nulidade política aos que se acomodaram com benesses do governo petista, perdendo sua capacidade de enfrentamento e mobilização.
Essa distância entre o movimento estudantil e os estudantes do ensino superior nos torna mais fracos diante da crescente repressão às forças mais progressistas, dando suporte aos conservadores em sua luta contra as organizações de juventude.
Aos que desconhecem, isso se deve a uma organização que é majoritária dentre as várias diretorias da UNE: a União da Juventude Socialista (UJS). Entrincheirados dentro do “campo majoritário”, em conjunto com uma das correntes do PT, a CNB (que sempre pontuou o governo através de conciliações com o Imperialismo e a Grande Burguesia).
Das críticas à atual gestão da entidade:
a. A falta de debater as raízes dos problemas da educação brasileiros, sempre pautando seus pontos pelas superficialidades – sem um verdadeiro projeto. Desse ponto entendemos que hoje a UNE não é convidativa aos estudantes devido ao seu não-diálogo, a inércia de sua gestão quando os convidamos a promoção de fóruns entre estudantes.
b. A não modernização dos espaços de contato com a UNE; onde se possa opinar e ser ouvido, fóruns e pesquisas de opinião. Sua falta de contato, diálogo, com as universidades de todo Brasil.
c. A falta de um jornal da entidade que tenha inserção dentro das universidades.
d. A má distribuição de cargos, que por muitas ficam à mercê de favores político e se servem apenas como uma plataforma para lançar candidaturas pelo PCdoB.
e. Sua falta de atuação como uma entidade frentista, onde estão reunidas as mais diversas organizações de esquerda e não somente a de sua gestão.
f. A falta de um projeto de defesa da soberania nacional e de Universidade Popular.
g. Os valores absurdos dos congressos e das carteiras, em que se cobra R$ 25 por cada, e se é feito mais de oito milhões em todo Brasil: e de nada desse dinheiro é prestado conta.
h. O boicote estratégico e institucional do processo de votação de chapas para a formação de delegados para o CONUNE, pensados para a perpetuação desta organização dentro da gestão.
i. A instrumentalização da UNE com a finalidade de negociatas e acordos entre a gestão, seu partido (o PCdoB) e membros do poder legislativo.
j. Seu medo da CPI da UNE, onde seria investigado para onde vai o dinheiro das carteiras de estudantes, para onde foram os R$ 57 mi concedidos a UNE para a construção de sua nova sede (que foi feita e hoje é um prédio de dois andares): foi feito um acordo com Rodrigo Maia (DEM) para que fosse barrada na câmara esta comissão parlamentar de inquérito, e está neste rabo-preso da atual gestão sua impossibilidade de levantar bandeiras críticas e combativas a atual desgoverno do PMDB e seus aliados.
k. Sua falta de transparência quando falamos do dinheiro que financia esta entidade.
l. Sua nulidade política.
Entre outros motivos…
Entendemos que existe um câncer nas veias dessa histórica entidade de mobilização estudantil, e este é chamado de UJS. Organização da qual poderíamos fazer uma listagem ainda maior de críticas que partem desde postura e até estreiteza entre linha teórica e prática, mas preferimos não abordar estas por aqui. 

Extirpar esse câncer é dever-maior dos nossos militantes de esquerda inseridos dentro do movimento estudantil.
Somos fiéis seguidores da UNIDADE entre os setores mais amplos da esquerda, e esperamos que dessa crítica que fazemos agora esse sentimento se aprofunde mais: que todos aqueles que hoje se afastam da revolução, do progressismo e anti-imperialismo retornem para nossos espaços, se direcionem de volta à esquerda nas questões sociais e da educação. E esperamos – de sincero desejo -, que a juventude do PCdoB volte a ser vermelha. E pensamos que enquanto isto não acontece é URGENTE a necessidade de uma troca de gestão dentro da UNE.

3

Tomamos para nossa organização a importância da luta estudantil e de sua organização enquanto força combativa dentro da atual conjuntura política. 

Entendemos a necessidade de formar uma unidade de ação e de combatividade, e isto deve ser consenso imediato de qualquer militante de esquerda que se preze.
Somos todos frutos de nossa época e dela devemos analisar a sociedade de maneira crítica, para traçarmos nossos caminhos, nossas expectativas e nossos limites. São tempos de violência, e de intemperismos daquelas instituições que outrora foram firmes como rocha. Onde o imperialismo busca relocar nossa nação em seu histórico papel na divisão internacional do trabalho: de subservientes. A educação, e os investimentos nela, nunca estiveram tão ameaçados e diminutos.
Buscamos cerrar fileiras estreitas nos princípios e amplas nas táticas. Lutaremos pelos três pontos cernes de desafios à esquerda atual: UNIDADE, FORMAÇÃO E COMBATIVIDADE.
Da universidade pautaremos nossas ideias e convicções, sempre alinhados na mais absoluta coerência entre nossa teoria e nossas práticas. E partindo deste lutaremos para conquistar espaços cada vez maiores dentro do movimento, mobilizando e formando, introduzindo à combatividade aqueles que outrora viam caminhos diferentes: sabemos, camaradas, não há outra via.
E é visando o trato das questões relativas ao entorno do movimento estudantil das universidades que estamos inseridos organicamente no momento: UFPE, UFRPE, UPE, UNICAP, UERJ, UFPR e a UFRGS, em que nortearemos nossa conduta e nossa agitação para o 55º CONUNE. Se aliando a forças que acreditamos que represente aquilo que queremos para a UNE: estaremos ao lado do campo da Oposição de Esquerda.

Acerca das ocupações estudantis da UFPE e os incidentes do CFCH e CAC

Com o fim das ocupações estudantis da UFPE, neste mês de dezembro de 2016, nos vêm também grandes polêmicas, algumas delas já existentes no seio do Movimento Estudantil da UFPE, sobretudo quando tratamos do CFCH e do CAC (respectivamente, Centro e Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Artes e Comunicação).

O Movimento Nova Pátria participou de maneira ativa no movimento de ocupações estudantis, focando nossa atuação no Centro de Educação (CE).

Continuar lendo

PEC 55: O tratado de Versalhes do Imperialismo contra o Brasil

Na I Grande Guerra Imperialista (ou “I Guerra Mundial”) as potências imperialistas rivais disputaram a partilha do mundo, e seu fim desembocou na sujeição da Alemanha a certas imposições e limites, que afetavam a sua economia, sua capacidade de defesa (militar), etc. Estas imposições por parte do bloco imperialista vencedor inclusive, conjuntamente com outros fatores, ajudou a catalisar o surgimento do inimigo nº 1 da humanidade: o nazifascismo. Este conjunto de imposições que tolhia a Alemanha ficou formalizado como um “acordo”, o Tratado de Versalhes.

Continuar lendo